Banco Fibra reforça operações e quer dobrar carteira
Aquisição da PauliCred garantiu estreia em veículos e ajudou a impulsionar concessões, em 2009, com crescimento de 120%.
Enquanto boa parte das instituições financeiras de médio porte se viu obrigada a abrir mão de carteiras de crédito em nome de liquidez, o Banco Fibra fez o caminho inverso e garantiu, em 2009, desempenho superior à média do sistema.
O saldo final de R$ 5,5 bilhões correspondeu a um crescimento de 28% em relação a 2008. Porém, o mais surpreendente é a relevância que as operações de varejo ganharam no resultado do Fibra, tradicionalmente voltado para o atendimento ao público corporativo.
Entre crédito ao consumo, consignado e a novíssima operação de veículos, a expansão apresentada foi de 120%. O objetivo é dobrar, ao longo de 2010, a atual carteira de varejo, de R$ 1,2 bilhão.
"O braço de varejo tem sido construído nos últimos quatro anos de forma responsável", afirma Antônio Francisco Lima Neto, presidente do Fibra.
Uma importante tacada foi dada em setembro, quando o banco adquiriu a PauliCred, empresa responsável pelas operações de financiamento de veículos e crédito consignado do Banco Paulista.
"Essa é uma das vantagens em ser conservador: aproveitamos a situação confortável para ir às compras", ressalta.
As operações de varejo serão centralizadas ainda neste primeiro semestre no CrediFibra, cuja criação foi autorizada recentemente pelo Banco Central. A nova financeira entra no lugar da GVI - Promotora de Vendas.
"Do ponto de vista de gestão, teremos uma operação totalmente verticalizada, da originação à concessão", observa Lima Neto. "Outra preocupação era fixar uma marca de varejo que contasse com o sobrenome corporativo Fibra, que levasse nossos parceiros a associar automaticamente a financeira ao grupo Vicunha."
Os 16 escritórios que hoje dão apoio aos 11,1 mil parceiros comerciais (lojistas e correspondentes bancários) devem chegar a 20 no fim do ano. Lima Neto descarta a oferta de crédito direto.
"Só trabalhamos com empréstimos direcionado ao consumo", ressalta. No crédito consignado, a estratégia continua a mesma - convênios com prefeituras e estados.
Segmento corporativo
A expansão das linhas de varejo não significa que o Fibra esteja descuidando do cativo segmento de pessoas jurídicas.
"Financiamento ao consumo é apenas mais um produto. Queremos ter uma carteira diversificada", explica. A meta é expandir as operações para empresas em cerca de 30%, neste ano. Em 2009, o crescimento foi de 16%, totalizando R$ 4,1 bilhões.
Caixa para atender às pretensões de crescimento tanto no varejo como no segmento empresarial é o que não falta ao Fibra.
A instituição concluiu recentemente três captações externas, que somaram cerca de R$ 740 milhões. O índice de Basileia está em nível confortável (17,7%).
Para manter o ritmo de crescimento, uma das possibilidades aventada é a oferta de ações em bolsa. "Estamos avaliando o melhor momento", avisa Lima Neto.
Fonte: Brasil Econômico Online – São Paulo – 02/03/2010.